Quinhentismo

Padre José de Anchieta (1534-1597)

Padre que nasceu nas Ilhas Canárias e que dedicou sua vida ao trabalho na igreja. Foi viver em Portugal, onde entrou para a Companhia de Jesus, no intuito de divulgar o cristianismo nas terras colonizadas. Acabou sendo enviado para o Brasil e, em 1553, ajudou na fundação do primeiro colégio da cidade de São Paulo de Piratininga.

Ele tinha um grande interesse nas línguas faladas pelos indígenas e não só verificou a diferença entre elas, mas também analisou aspectos gramaticais e semânticos bem parecidos. Produziu diversas poesias, cartas, sermões e peças de teatro. Faleceu em 1597 e era considerado o “Apóstolo do Novo Mundo”.

Poema da Virgem

"Por que ao profundo sono, alma, tu te abandonas,

e em pesado dormir, tão fundo assim ressonas?

Não te move a aflição dessa mãe toda em pranto,

que a morte tão cruel do filho chora tanto?

O seio que de dor amargado esmorece,

ao ver, ali presente, as chagas que padece?

Onde a vista pousar, tudo o que é de Jesus,

ocorre ao teu olhar vertendo sangue a flux. (...)"

Pero Vaz de Caminha (-1500)

Acredita-se que Pero Vaz de Caminha tenha nascido em Portugal e lá tenha vivido seus primeiros anos de vida. Participou da guerra contra Castela e foi nomeado como Mestre da Balança da Casa da Moeda e em 1497, foi eleito como vereador. Posteriormente, foi nomeado escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral. Ficou conhecido após escrever uma carta, conhecida como a carta de Pero Vaz de Caminha, em que ele informa ao reino as descobertas realizadas na nova terra. Primeiramente, a carta foi esquecida nos arquivos portugueses e somente passou a ter importância para o Brasil em 1822. A carta se tornou o principal documento da descoberta do Brasil.

Trecho da Carta

“(...)Posto que o capitam moor, desta vossa frota e asy os outros capitaães screpuam a vossa alteza a noua do achamento desta vossa terra noua que se ora neesta nauegaçam achou, (...)”

Barroco

Padre Antônio Vieira (1608-1697)

Escritor barroco conhecido pelos seus sermões e suas cartas. Sua família veio para o Brasil quando ele ainda era uma criança e, na adolescência, entrou para a Companhia de Jesus. Deu aulas de humanidades na cidade de Olinda e foi ordenado sacerdote na Bahia. Foi para Portugal, quando estava adulto, com o intuito de ajudar à coroa.

Antônio Vieira propôs que Portugal desse a região de Pernambuco para a Holanda e que o país lusitano abrigasse os judeus desabrigados na Europa. Essas ideias não foram aceitas e ele voltou ao Brasil. Em 1661, retornou a Portugal e foi preso pela inquisição, que afirmava que alguns de seus textos eram coisas hereges. Ficou preso por dois anos e recebeu anistia em 1669. Voltou ao Brasil em 1681 e morreu na Bahia, com 89 anos.

Principais Sermões:

  • Sermão pelo Bonsucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda;
  • Sermão da Sexagésima (10 capítulos): Um dos seus mais famosos sermões, que foi falado em Lisboa, em 1655. O autor buscou inspiração em termos da Bíblia e fez uso de metáforas;
  • Sermão de Santo Antônio aos Peixes.

Gregório de Matos (1633-1696)

Filho de português, Gregório de Matos (O Boca do Inferno), nasceu na Bahia e formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Com suas poesias de cunho bastante satírico, ele foi um dos melhores poetas dessa escola literária. Em 1672, foi nomeado como procurador na Bahia, mas acabou sendo destituído.

Em 1682, foi escolhido por Dom Pedro II como tesoureiro-mor da Sé, mas ele acabou sendo retirado do cargo. Ele começou a escrever poesias, em que satirizava a comunidade baiana e alternava também com assuntos eróticos e líricos. Ele foi denunciado para a inquisição onde foi acusado de difamar contra as normas e contra Jesus Cristo. Justamente por isso recebeu o apelido de Boca do Inferno.

Casou-se com Maria dos Povos e trabalhava também como advogado. Com poemas cada vez mais ácidos, ele começou a ter inimizades em toda cidade e, por isso, foi enviado para Angola. Tempos depois, ele pode voltar para o país, mas não para a Bahia e morreu na cidade de Recife. Suas obras podem ser divididas entre poesias amorosas, religiosas e filosóficas.

"Que falta nesta cidade? Verdade.

Que mais por sua desonra? Honra.

Falta mais que se lhe ponha? Vergonha.

 

O demo a viver se exponha,

Por mais que a fama a exalta,

Numa cidade onde falta

Verdade, honra, vergonha."

***

“Nasce o sol e não dura mais que um dia,

Depois da Luz se segue a noite escura,

Em tristes sombras morre a formosura,

Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?

Se é tão formosa a luz, por que não dura?

Como a beleza assim se transfigura?

Como o gosto da pena assim se fia?

Começa o mundo enfim pela ignorância,

E tem qualquer dos bens por natureza

A firmeza somente na inconstância.”