Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810)

Esse poeta foi um dos patronos da cadeira da Academia Brasileira de Letras. Ele nasceu em Portugal, mas passou a infância no Brasil. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e em 1782, foi indicado para ser o Ouvidor Geral na comarca de Vila Rica, em Minas Gerais. Conheceu Maria Doroteia Joaquina de Seixas, que tinha apenas 17 anos, enquanto ele tinha 40 anos. Ele escrevia diversas poesias para ela e foi a inspiração para a obra “Marília de Dirceu”.

Em Minas Gerais, escreveu o poema “Cartas Chilenas”, onde criticava duramente a corte e o regime colonial. Foi preso em 1789, ao ser acusado de participação na Inconfidência Mineira e foi enviado para cumprir pena na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro. Posteriormente, foi encaminhado a Moçambique, para cumprir mais uma pena de 10 anos.

A primeira versão de Marília de Dirceu (33 liras) foi lançada em 1792 e, em 1799, foi lançada a segunda parte (65 liras). As principais obras são “Marília de Dirceu”, “Cartas Chilenas” e "Tratado de Direito Natural". As poesias continham características bucólicas e com ênfase na natureza. As Cartas Chilenas eram escritas sobre o pseudônimo de Critilo e endereçadas a outro pseudônimo, chamado Doroteu (historiadores afirmam que se tratava de Cláudio Manuel da Costa).

Marília de Dirceu

"Lira I

Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,

Que viva de guardar alheio gado;

De tosco trato, d’ expressões grosseiro, 

Dos frios gelos, e dos sóis queimado.

Tenho próprio casal, e nele assisto;

Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;

Das brancas ovelhinhas tiro o leite,

E mais as finas lãs, de que me visto.

Graças, Marília bela,

Graças à minha Estrela!"

Cartas Chilenas

“(...)Ainda me parece que o estou vendo

no gordo rocinante escarranchado,

as longas calças pelo embigo atadas,

amarelo colete, e sobre tudo

vestida uma vermelha e justa farda.(...)”

Cláudio Manuel da Costa (1729-1789)

Um dos patronos da Academia Brasileira de Letras, esse é um dos principais poetas do arcadismo. Nasceu em Minas Gerais e formou-se em Cânones, em 1753, após ter cursado Filosofia. Com a influência das tendências iluministas, ele passou a escrever seus primeiros versos. Trabalhou como secretário do governo e como juiz para mediar terras.

Aos sessenta anos de idade, foi preso após ser acusado de participar da Inconfidência Mineira. Foi encontrado morto em 1789 e a afirmação era de que ele havia cometido um suicídio, versão contestada por algumas pessoas. Em sua vida, ele trabalhou como advogado, escritor e político. Produzia sonetos sob o pseudônimo de Glauceste Satúrnio. Principais obras: “Culto Métrico”, “Munúsculo Métrico”, “Epicédio” e “Vila Rica”.

Teimei,Penhas...

“Destes penhascos fez a natureza

O berço em que nasci: oh! quem cuidara

Que entre penhas tão duras se criara

Uma alma terna, um peito sem dureza!

 

Amor, que vence os tigres, por empresa

Tomou logo render-me; ele declara

Contra meu coração guerra tão rara

Que não me foi bastante a fortaleza.

 

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano

A que dava ocasião minha brandura,

Nunca pude fugir ao cego engano;

 

Vós que ostentais a condição mais dura,

Temei, penhas, temei: que Amor tirano

Onde há mais resistência mais se apura.”