Parnasianismo

Olavo Bilac (1865-1918)

Poeta brasileiro que nasceu no Rio de Janeiro e que chegou a cursar Medicina e Direito, mas acabou ficando com a poesia. Trabalhou como jornalista, inspetor, crítico e membro do Conselho Superior do Departamento Federal. Participou da Academia Brasileira de Letras, defendeu a abolição da escravatura e era muito preocupado com o ritmo de seus poemas. Além disso, era um homem boêmio e defendia o serviço militar obrigatório.

Em 1888, lançou “Poesia”, uma publicação que o fez ser conhecido. Suas poesias continham influência portuguesa, com traços eróticos e emotivos. Publicou, ainda, as obras “Conferências Literárias”, “Ironia e Piedade” e alguns livros didáticos, infantis e crônicas. Quando ficou contra o governo do Marechal Floriano Peixoto, ele teve que se esconder, mas acabou sendo preso. Foi eleito o "Príncipe dos Poetas Brasileiros" e após sua morte, foi lançada a obra “Tarde”.

Um beijo

Olavo Bilac

“Foste o beijo melhor da minha vida,

ou talvez o pior...Glória e tormento,

contigo à luz subi do firmamento,

contigo fui pela infernal descida!

 

Morreste, e o meu desejo não te olvida:

queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,

e do teu gosto amargo me alimento,

e rolo-te na boca malferida.

 

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,

batismo e extrema-unção, naquele instante

por que, feliz, eu não morri contigo?

 

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,

beijo divino! e anseio delirante,

na perpétua saudade de um minuto...”

Raimundo Correia (1859-1911)

Esse filho de desembargador, nasceu no Maranhão, mas estudou no Rio de Janeiro e estudou Direito em São Paulo. Em 1879, lançou a poesia “Primeiros Sonhos”. Em 1883, publicou “Sinfonias”, que continha o famoso poema “As Pombas”. A partir disso, muitas pessoas lhe chamavam de “o poeta das pombas”. Seus poemas falavam sobre mitologia e civilizações extintas.

Recebeu a nomeação para trabalhar como promotor de justiça e, posteriormente, como juiz municipal. Trabalhou em diversas áreas do funcionalismo público, escreveu para jornais e editou o livro “Poesias”. Com problemas de saúde, foi para Paris e morreu na capital francesa.

Mal Secreto

Raimundo Correia

"Se a cólera que espuma, a dor que mora

N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,

Tudo o que punge, tudo o que devora

O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora

Ver através da máscara da face,

Quanta gente, talvez, que inveja agora

Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo

Guarda um atroz, recôndito inimigo,

Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,

Cuja a ventura única consiste

Em parecer aos outros venturosa!"

Vicente de Carvalho (1866-1924)

Vicente de Carvalho formou-se em Direito, em 1886, e trabalhou no Tribunal de Apelação do Estado de São Paulo. Era boêmio, abolicionista e participava de reuniões sobre o assunto. Em 1885, lançou seu primeiro livro, “Ardentias”, que teve uma grande repercussão. Foi colaborador de diversos jornais e trabalhou também como fazendeiro e político. Em 1908, lançou “Poemas e Canções”. Além disso, começou a ser chamado de Poeta do Mar, pois gostava de falar sobre esse assunto.

Principais Obras

  • Ardentias (1885);
  • Relicário (1888);
  • Rosa, rosa de amor (1902);
  • Poemas e canções (1908);
  • Versos da mocidade (1909).

Velho Tema

“Só a leve esperança, em toda a vida

Disfarça a pena de viver, mais nada;

Nem é mais a existência, resumida,

Que uma grande esperança malograda.

 

O eterno sonho da alma desterrada

Sonho que a traz ansiosa e embevecida,

É uma hora feliz, sempre adiada

E que não chega nunca em toda a vida.

 

Essa felicidade que supomos,

Árvore milagrosa que sonhamos

Toda arreada de dourados pomos,

 

Existe, sim: mas nós não a alcançamos

Porque está sempre apenas onde a pomos

E nunca a pomos onde nós estamos.”

Simbolismo

Cruz e Sousa (1861-1898)

Poeta brasileiro e precursor do movimento simbolista, Cruz e Souza era chamado também de Dante Negro. Nasceu em Florianópolis e era filho de negros alforriados, mas recebeu uma educação de qualidade graças a um senhor rico e sua esposa. Eles o consideravam um filho e lhe proporcionaram aprendizado em línguas e nas ciências da natureza.

Era um abolicionista e defendia também o Parnasianismo nos jornais. Quando morou no Rio de Janeiro, trabalhava como colaborador em jornais. Publicou a obra “Tropos e Fantasias”, “Missal” e “Broqueis”. A característica desse autor é que ele mesclava o pessimismo com musicalidade. Após o diagnóstico de tuberculose, mudou-se para o interior; porém, faleceu por causa dessa enfermidade. Após a sua morte, foram lançadas as seguintes obras: “Últimos Sonetos”(1905), “Evocações” (1898) e “Faróis” (1900).

Inefável

Cruz e Souza

“Nada há que me domine e que me vença

Quando a minha alma mudamente acorda...

Ela rebenta em flor, ela transborda

Nos alvoroços da emoção imensa.

Sou como um Réu de celestial sentença,

Condenado do Amor, que se recorda

Do Amor e sempre no Silêncio borda

De estrelas todo o céu em que erra e pensa.

 

Claros, meus olhos tornam-se mais claros

E tudo vejo dos encantos raros

E de outras mais serenas madrugadas!

 

Todas as vozes que procuro e chamo

Ouço-as dentro de mim porque eu as amo

Na minha alma volteando arrebatadas.”